Localizado nas proximidades da Praça da Liberdade, a Unidade Lourdes do Colégio Magnum, ocupa um edifício emblemático desenhado por Edison Musa na década de 1980, originalmente projetado para abrigar um banco. A revitalização desse prédio representou um desafio significativo: preservar seu valor histórico e arquitetônico, ao mesmo tempo em que foi adaptado às demandas de uma escola contemporânea. O resultado é um espaço que se abre para a cidade com áreas de convivência e lazer, sem abrir mão de um ambiente seguro e acolhedor para alunos e colaboradores.
Para valorizar ao máximo a luz natural, foram instalados painéis de vidro fixos nas partes superiores das divisórias das salas de aula. Essa solução permite que a iluminação natural alcance os corredores e pátios internos, criando uma atmosfera agradável. O conforto acústico foi cuidadosamente planejado, com a instalação de forros acústicos e paredes duplas de gesso, garantindo ambientes ideais para o aprendizado. Cada pavimento recebeu uma cor distinta, aplicada tanto nas paredes quanto nas tubulações aparentes. Essa escolha reforça a identidade visual de cada andar e facilita a orientação de alunos e professores pelos espaços.
As estruturas originais do edifício foram mantidas expostas, transformando o próprio prédio em um “terceiro professor” — conceito que reconhece o ambiente como um agente ativo na experiência educativa, estimulando a curiosidade e o aprendizado através da arquitetura.
No auditório, as icônicas longarinas de Sérgio Rodrigues foram preservadas e restauradas. O espaço também recebeu melhorias nos acessos, além de inserção de cor (um novo carpete e pintura no teto), que conferem acolhimento e conforto acústico.
Nos laboratórios localizados no subsolo e nas salas do ensino infantil, foram projetadas aberturas de diferentes dimensões, promovendo integração visual e funcional entre ambientes, sem comprometer a fluidez dos espaços. Ainda no subsolo, foi criada uma quadra coberta voltada para o ensino infantil, estrategicamente posicionada próxima às salas de aula para facilitar o acesso dos pequenos.
O bloco do ensino infantil conta com um acesso independente, em destaque por seu volume azul. O espaço inclui rampas acessíveis e platôs onde as crianças podem brincar, cuidar das hortas e desfrutar do sol em segurança. A biblioteca se destaca pela marcenaria amarela que a delimita, criando uma transição visual e física com a área de circulação do pavimento. O mobiliário acolhedor convida alunos e colaboradores ao descanso e à leitura durante os intervalos.
Por fim, o terraço foi transformado em uma praça esportiva e de convivência, com vista para a cidade e ampla incidência de luz natural — um verdadeiro espaço de respiro e integração. O projeto não apenas respeitou e valorizou a história do edifício, como também trouxe inovação, funcionalidade e um novo olhar sobre o papel da arquitetura no ambiente escolar. O resultado é uma escola dinâmica, inspiradora e profundamente conectada com a cidade e com quem a habita.

Ficha Técnica
Arquitetos Responsáveis: BIRI + Chico Albano
Francisco Albano Andrade, Marcos Franchini e Nattalia Bom Conselho
equipe: Gabriella Sevilha, Júlia Galindo e Tiago Nogueira
Projeto paisagístico: Juliano Borin
Projeto de sinalização: Lucas Machado Design
Projeto acústico: JBARROS Arquitetura e Acústica
Projeto luminotécnico: Atiaîa Lighting Design
Levantamento arquitetônico: Ariwá Topografia
Execução da obra: Qualis Engenharia
Registro fotográfico: © Jomar Bragança
Data do Projeto: 05/2024 – 12/2024
Conclusão da obra: 01/2025
Área de intervenção: 4.320m²

Educação, Institucional